quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Fragmento(s)

 


O espelho reflete certo; não erra porque não pensa.
(...)

Alberto Caeiro
Fotografia: Maremfrente, fevereiro de 2015

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Fragmento(s)

 
foi num instante talvez um segundo
pintaram-se sete cores sete sobre o céu de chumbo


António Martinó
Fotografia: Maremfrente, fevereiro de 2015

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Fragmento(s)




Natal à janela de casa!


Fotografia: Maremfrente.




sexta-feira, 21 de junho de 2013

Entre o sonho e o sono



Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim
É o que eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras paragens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
Esse rio sem fim.


Fernando Pessoa
Fotografia: Maremfrente, 19.06.13

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Mostrengo




 
 
 
 
 
 
 
 
 



 

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»

 
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-rei Dom João Segundo!»

 
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao lema,
De El-Rei D. João Segundo!»


Fernando Pessoa, Mensagem.
Fotografia: Maremfrente, 03.10.12

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

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 03.10.12
Fotografia: Maremfrente.

domingo, 23 de setembro de 2012

Aprender a ESTUDAR

 
Estudar é muito importante
Mas pode-se estudar de várias maneiras…
Muitas vezes estudar não é só aprender
O que vem nos livros.

 Estudar não é só ler nos livros
Que há nas escolas.
É também aprender a ser livres,
Sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
Às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante
Para a gente ser gente.

 É preciso aprender a escrever,
Mas também a viver,
Mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer,
Aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer:
Aprender a estudar, a conhecer os outros,
A ajudar os outros,
A viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros
Aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo
E ter um amigo também é estudar.

Estudar também é repartir,
Também é saber dar
O que a gente soube dividir
Para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado
Sem ninguém nos ditar;
E se um erro nos for apontado
É sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro,
Ter uma cabeça que saiba pensar,
Pois, na escola da vida,
Primeiro está saber estudar.

Contar todas as papoilas de um trigal
É a mais linda conta que se pode fazer.
Dizer apenas música,
Quando se ouve um pássaro,
Pode ser a mais bela redação do mundo…

Estudar é muito
        Mas pensar é tudo!


Ary dos Santos